A CDL Campo Grande apresenta o manifesto “Movimenta Campo Grande”, documento que reúne levantamento estrutural, impacto orçamentário e consequências socioeconômicas da degradação da malha viária da capital. O material mostra que o problema do asfalto não afeta só quem tem carro, atinge toda a população, de forma direta ou indireta.
Segundo o levantamento, Campo Grande tem mais de 9.000 ruas e avenidas, o que soma mais de 3.300 quilômetros lineares de vias públicas. Desse total, entre 2.500 km e 2.700 km são pavimentados, mas grande parte da malha foi construída há mais de 30 anos, com camadas finas de asfalto e sem rede de drenagem adequada.
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, afirma que a degradação das vias compromete diretamente a vida do lojista e do consumidor. “O asfalto ruim encarece o frete, atrasa a entrega e afasta o cliente da loja. Quando a rua não funciona, o comércio sente primeiro”, diz.
O documento também aponta um ciclo de prejuízo entre a malha viária e o transporte coletivo. Trafegar sobre buracos reduz em até 40% a vida útil de peças de suspensão dos ônibus urbanos, o que ajuda a explicar a crise de frota do Consórcio Guaicurus. Sem transporte público confiável, parte da população recorreu à compra de veículos próprios para não perder o emprego por atraso, o que elevou o comprometimento da renda familiar com financiamento, combustível e manutenção.
O manifesto ainda mostra que o município paga indenizações judiciais que variam de R$ 5.000,00 a mais de R$ 30.000,00 por processo, decorrentes de danos causados por crateras. Esse valor sai do tesouro municipal, ou seja, do imposto pago pela própria população, que financia duas vezes o mesmo problema: paga para ter rua segura e paga de novo quando a rua machuca alguém.
Para reverter esse quadro, a CDL Campo Grande apresenta cinco propostas com respaldo em leis federais e em práticas já testadas por outras cidades do país. A primeira sugere o redirecionamento de até 30% do superávit da COSIP para a manutenção de vias, com base na Emenda Constitucional nº 132/2023. A segunda propõe a redução emergencial do duodécimo repassado à Câmara Municipal, com remanejamento do valor para pavimentação, seguindo modelo adotado por Curitiba e Porto Alegre. A terceira defende a vinculação das multas de trânsito a um fundo municipal de recuperação viária, o FUMPAV, com base no Código de Trânsito Brasileiro. A quarta indica a adoção de contratos de eficiência para obras de recapeamento, com pagamento vinculado a critérios de desempenho e durabilidade, modelo em uso em Belo Horizonte e no Paraná. A quinta reforça a fiscalização sobre concessionárias e empreiteiras que atuam na via pública, com exigência de laudo técnico de compactação do solo e sanções diretas em caso de descumprimento.
“Não é um documento contra a gestão, é um chamado para a gestão. Campo Grande precisa de planejamento contínuo, não de remendo”, completa Adelaido Figueiredo.
Mais de 9.000 ruas e avenidas na malha urbana
Mais de 3.300 km lineares de vias, entre 2.500 km e 2.700 km pavimentados
Redução de até 40% na vida útil de peças de ônibus por causa de vias danificadas
Indenizações judiciais de R$ 5.000,00 a mais de R$ 30.000,00 por processo
Gasto anual de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões em tapa-buracos, sem solução estrutural
Investimento de R$ 24,3 milhões na usina de asfalto do Indubrasil, hoje ociosa
5 propostas da CDL Campo Grande: redirecionamento do superávit da COSIP, redução do duodécimo da Câmara, criação do FUMPAV com recursos de multas, contratos de eficiência para recapeamento e fiscalização rígida sobre obras na via pública.
Veja o manifesto:




















