A empresa argumenta ainda que a produção de insumos cítricos por parte dos produtores locais, ou seja, dos próprios americanos, tem tido safras prejudicadas por doenças, efeitos climáticos e mudanças no uso da terra. “Dessa forma, não se pode presumir que a produção doméstica seja capaz de substituir o fornecimento qualificado proveniente do Brasil dentro de prazos comercialmente viáveis”, afirma a indústria.
Outro ponto apresentado pela Coca-Cola foi a queda da produção de laranjas pelos produtores locais. A Flórida, cita a empresa, produzia 242 milhões de caixas na safra 2003/2004, mas apresentou uma queda nas últimas décadas, até atingir 12 milhões de caixas na safra 2025/2026.
“O Brasil tornou-se uma fonte complementar essencial diante da significativa queda da produção norte-americana de laranja”, disse a empresa, que reforçou que o fornecimento brasileiro “tem ajudado a suprir essa lacuna para os fabricantes de suco de laranja nos Estados Unidos”.
Tesla
A Tesla, montadora de veículos elétricos de Elon Musk, disse em seu comentário enviado ao USTR que apoia medidas que vão na direção da reindustrialização americana e da construção de cadeias de suprimento resilientes nos Estados Unidos no longo prazo — um dos efeitos esperados da imposição da tarifa. Mas salientou: “Essa transição levará tempo”.
A Tesla explica que alguns insumos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos em escala suficiente para permitir uma manufatura norte-americana competitiva sem depender do acesso a “cadeias internacionais de suprimento já estabelecidas, incluindo determinadas peças e componentes fornecidos pelo Brasil”.
Na conclusão de seu comentário, a montadora de Musk sugeriu que o USTR considere os impactos sobre os fabricantes norte-americanos e exclua os insumos provenientes do Brasil, “que são necessários para a produção industrial”, da lista de produtos alvo do aumento tarifário.
“Uma medida tarifária que deixe de considerar o ritmo da diversificação das cadeias de suprimento — ou que imponha restrições mais rapidamente do que as alternativas domésticas consigam expandir sua capacidade de forma realista — corre o risco de causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos”, afirma a Tesla.
eBay
Um dos maiores sites de comércio eletrônico do mundo também se manifestou. O eBay sugeriu que o USTR modificasse a proposta para isentar produtos “de segunda mão, usados e seminovos de quaisquer tarifas impostas no âmbito da investigação da Seção 301”.
A empresa argumenta que a tarifa imposta a produtos revendidos não atinge o objetivo de punir os fabricantes investigados.
“Um bem já foi comprado, utilizado e revendido — muitas vezes por diversos proprietários ao longo de vários anos. Uma tarifa imposta no momento da revenda no mercado secundário não gera qualquer sinal econômico que alcance o fabricante original, muito menos qualquer prática brasileira de distorção da concorrência relacionada à fabricação inicial do produto”, diz o eBay. “A tarifa penaliza a revenda do bem, e não sua produção”, acrescenta.
A plataforma afirma que determinar tarifas sobre itens comercializados após a produção prejudica o mercado de revendedores, “que não tiveram qualquer participação na produção desses bens de segunda mão”.
“Esses revendedores podem optar por deixar de exportar para os Estados Unidos, enquanto os consumidores norte-americanos tenderiam a comprar produtos novos, que podem, inclusive, ter sido produzidos sob as condições de distorção identificadas pelo USTR nesta investigação. Como consequência, a demanda por produtos novos pode aumentar, tornando a política ineficaz para eliminar as práticas brasileiras subjacentes que são alvo desta investigação”, afirmou o eBay.
Faber-Castell
Na manifestação, a Faber-Castell afirma que os produtos brasileiros são fundamentais para a educação de crianças americanas e não podem ser substituídos por fornecedores nacionais ou estrangeiros alternativos em um prazo razoável.
No documento, a empresa alega que o desenvolvimento de uma nova cadeia de suprimentos “levaria anos e exigiria investimentos significativos, sem garantir uma produção comparável.”
Ainda segundo a empresa, o Brasil forneceu aproximadamente 31% das importações americanas sob essa classificação tarifária em 2025 e é a principal fonte desses produtos.
A Faber-Castell opera a maior fábrica de lápis do mundo e fornece a maior parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos por meio de relações comerciais consolidadas.
“Tarifas adicionais interromperiam as cadeias de suprimentos, aumentariam os custos para as famílias americanas, principalmente durante o período de volta às aulas, e funcionariam como um “imposto escolar” efetivo, sem expandir a capacidade de produção americana.”
“Não existe alternativa viável, nacional ou globalmente, para substituir esse volume no curto ou médio prazo e garantir a mesma qualidade, segurança e preços acessíveis.”
Nestlé
A Nestlé afirma que alguns de seus insumos essenciais não são produzidos ou não estão disponíveis em quantidade suficiente nos Estados Unidos. Dentre eles, o café solúvel sem sabor e o colágeno bovino.
No caso do café, a empresa pede que ele faça parte da lista de isenções, assim como ocorre com o café solúvel com sabor. Já o colágeno bovino, a Nestlé destaca o Brasil é o principal exportador global, “já que a estrutura da cadeia de suprimentos doméstica atualmente está muito aquém da demanda”, afirma no documento.
Estadão Conteúdo.