O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed/MS) manifesta total apoio à decisão do Conselho Municipal de Saúde (CMS) de rejeitar a entrega da gestão de unidades de saúde para Organizações Sociais (OSs). Para a entidade, a proposta do Executivo é uma tentativa de “maquiar” falhas graves de administração sob o pretexto de modernização.
O sindicato destaca que o maior problema da saúde na capital hoje não é o modelo jurídico, mas a insuficiência de leitos hospitalares. Essa carência mantém pacientes internados em unidades de urgência por longos períodos, em estruturas precárias que não foram concebidas para internações prolongadas.
Para o presidente do SinMed/MS, Dr. Marcelo Santana, a terceirização é um caminho perigoso que não ataca a raiz do problema:
“Entregar a chave das nossas unidades para OSs não vai criar um único leito novo no município. O que vemos em Campo Grande hoje é uma falha clara de gestão: falta insumo e falta manutenção mesmo com dinheiro em conta. O médico e a população não precisam de um intermediário privado, precisam que a prefeitura cumpra o papel dela de planejar e investir com transparência.”
Além dos problemas estruturais, o SinMed/MS ressalta que a adoção do modelo de OS traz riscos graves à assistência e à gestão dos recursos públicos. A entidade alerta que a precarização do trabalho é uma das consequências mais imediatas, uma vez que a rotatividade e os vínculos instáveis gerados por essas organizações destroem a continuidade do cuidado ao paciente e desvalorizam o profissional médico.
O sindicato também pontua que a medida compromete a transparência, já que as Organizações Sociais utilizam regulamentos próprios para compras e contratações, o que torna a fiscalização pelo controle social e pelos órgãos públicos muito mais complexa e opaca.
Para a categoria, episódios recentes como a demora injustificável na compra de compressores e a crise no abastecimento de reagentes laboratoriais — mesmo com verba disponível em conta — provam que o gargalo da saúde em Campo Grande não é o modelo jurídico, mas a falta de competência administrativa na execução e no planejamento da gestão direta.
Diante deste cenário, o SinMed/MS exige que a Prefeitura e a Câmara Municipal respeitem a soberania do Conselho Municipal de Saúde e interrompam imediatamente esse projeto, preservando o caráter público, estatal e universal do SUS.




















