Inês Santiago, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), desembarcou em Brasília para uma agenda estratégica e de extrema urgência para o setor produtivo. Ela participa de reuniões da diretoria na sede da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em uma missão de Relações Institucionais e Governamentais (RIG). O objetivo do RIG é representar os interesses do varejo, defender pautas e influenciar políticas públicas de forma ética e técnica, orientando a tomada de decisão das autoridades.
O foco central das articulações da presidente nesta semana é o debate sobre as propostas que preveem o fim da escala de trabalho 6×1, tema que está previsto para ser pautado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados.
O avanço de projetos como a PEC 221/2019 e o PL 1838/2026 tem gerado enorme apreensão no varejo e no setor de serviços. A caminho da capital federal, Inês Santiago foi categórica ao avaliar o impacto da medida: “É um tema que está deixando esse país de cabelo em pé”, afirmou.
A FCDL-MS reconhece a relevância da discussão sobre qualidade de vida e equilíbrio nas relações de trabalho. No entanto, faz um alerta claro: qualquer redução de jornada sem ganho real de produtividade ou compensações estruturais tende a aumentar o custo da mão de obra e pressionar diretamente o emprego formal.
O impacto recai, especialmente, sobre o comércio e os serviços setores que sustentam mais de metade da atividade econômica e da geração de empregos no país e que operam com margens cada vez mais comprimidas.
Em um ambiente já desafiador, marcado pela implementação da reforma tributária, pela elevação da carga sobre o consumo e por inseguranças regulatórias, medidas que elevem o custo operacional podem gerar efeitos em cadeia, como redução de contratações,aumento da informalidade, repasse de custos ao consumidor e aceleração de processos de automação.
A pergunta que precisa ser feita é objetiva: quem paga essa conta?
O varejo que está na ponta da economia sabe que, na prática, essa conta tende a recair sobre o consumidor, o trabalhador e o pequeno empresário. A FCDL-MS reforça que o Brasil precisa avançar em produtividade, qualificação e eficiência econômica, e não adotar soluções isoladas que desconsiderem a realidade de quem gera emprego diariamente. O varejo é o coração que irriga a economia local. E qualquer decisão que impacte sua capacidade de empregar e distribuir renda precisa ser tomada com responsabilidade, diálogo e análise de impacto real.
A entidade seguirá acompanhando de perto a tramitação no Congresso Nacional e contribuirá tecnicamente para que o debate avance com equilíbrio e compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país.




















