O recente leilão da faixa de 700 MHz, realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vai permitir levar cobertura de telefonia móvel para pequenos municípios, áreas remotas e rodovias federais, que antes vivenciavam a ausência de conectividade. “Ao avançar sobre essas áreas, cria-se uma nova camada de integração territorial. Não se trata apenas de sinal de celular, a iniciativa se traduz em inclusão digital, eficiência produtiva no agro e na bioeconomia, acesso aos serviços públicos e segurança nas rodovias”, diz o ex-secretário de Desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos.
A iniciativa vai gerar investimentos de R$ 2 bilhões para levar tecnologia 4G ou superior a 864 localidades desassistidas e a milhares de quilômetros de rodovias federais que hoje estão sem cobertura. As obrigações previstas no edital devem ser cumpridas até 2030. As informações são da Anatel.
Para Jaime Verruck, a questão das rodovias é fundamental, no caso de Mato Grosso do Sul um dos pontos que merece destaque é a BR-163 — principal eixo logístico do estado. “Sem dúvidas, representa um avanço significativo, pois hoje, ainda enfrentamos limitações de conectividade em diversos trechos, o que impacta diretamente a segurança, a gestão logística e a competitividade”, analisa.
Jaime Verruck pontua que o Governo do Estado incorporou esse entendimento na modelagem da Parceria Público-privada (PPP) dos Caminhos da Celulose, que prevê cobertura de telefonia ao longo de aproximadamente 860 km de rodovias. “É um convergência que gera desenvolvimento, pois estamos diante de uma política pública federal induzindo investimento em áreas não atendidas; estratégia estadual estruturando infraestrutura digital e logística e setor produtivo demandando conectividade para ganhar eficiência. Dessa forma o resultado é que a conectividade deixa de ser um serviço e passa a ser infraestrutura crítica de desenvolvimento.”
Além disso, ele lembra que o Estado já estruturou uma agenda consistente de conectividade com a PPP da Infovia Digital, ampliando a rede de dados e conectando 79 municípios. Trata-se de uma base essencial para a digitalização dos serviços públicos, da educação, da saúde e, principalmente, para dar suporte ao crescimento econômico. Integrar o território por meio da comunicação é, hoje, tão relevante quanto integrar por rodovias, ferrovias ou hidrovias”, diz Verruck.
O leilão — Segundo informações do portal da Anatel, quatro empresas venceram o leilão de 700 MHz e contemplou a Amazônia (lote A01), a Brisanet (lotes A02 e A03), a Unifique (lote A04) e a iez! (A05). O valor total dos lances somou cerca de R$ 23 milhões. Com investimento estimado em R$ 2 bilhões, a licitação deve beneficiar mais de 864 localidades, com foco em áreas rurais e remotas, além de levar conectividade a cerca de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais em 16 estados, trechos que hoje ainda sofrem com a falta de sinal.
A faixa de 700 MHz, considerada estratégica, permite maior alcance de sinal com menos torres, o que facilita a expansão da cobertura, especialmente em regiões de difícil acesso. A liberação desta faixa foi possível após o avanço da TV digital, que permitiu reorganizar o uso das frequências e abrir espaço para a expansão dos serviços móveis.




















