Representantes de instituições ambientais, pesquisadores e organizações da sociedade civil se reuniram para discutir uma nova estratégia de conservação para o Sul do Pantanal. A proposta, debatida no dia 19 de junho, busca unir esforços para proteger a biodiversidade, fortalecer as comunidades locais e criar caminhos para um desenvolvimento mais sustentável da região.
A iniciativa é liderada pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal e adota a metodologia 4R (Quatro Retornos), uma abordagem internacional que busca gerar quatro benefícios de forma integrada: inspirar pessoas a se envolverem com a conservação ambiental (Retorno de Inspiração), proteger e restaurar a natureza (Retorno Natural), promover benefícios para as comunidades (Retorno Social) e criar oportunidades econômicas sustentáveis (Retorno Financeiro).
Para a diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Rafaela Nicola, o 4R não é um projeto isolado, mas uma forma de organizar e conectar ações que já acontecem no território. “O Pantanal precisa da nossa construção coletiva. Discutir e validar esse percurso, além de identificar oportunidades de colaboração com quem já atua na conservação da região, vai contribuir para a implementação dessa estratégia”, destacou a diretora lembrando que o Pantanal Sul foi definido também como uma das paisagens emblemáticas da estratégia global da Wetlands Internacional.
A proposta prevê uma área de aproximadamente 3 milhões de hectares denominada Paisagem Emblemática Sul-Pantaneira. O principal objetivo da iniciativa é construir uma visão compartilhada para a região, alinhando instituições e iniciativas em torno de uma estratégia comum que integre conservação da natureza e desenvolvimento sustentável, fortalecendo a colaboração para alcançar resultados duradouros.
Participaram da reunião representantes do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), da Reserva da Biosfera, do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD/UFMS), do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), do ICMBio/Parque Nacional da Serra da Bodoquena, do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre outras instituições parceiras.
Sobre a área
A gestora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan, Letícia Larcher, explicou que a região foi escolhida por sua grande importância para a biodiversidade e por funcionar como uma área de conexão entre o Pantanal, o Chaco e a Bacia do Prata.
“A área abrange territórios estratégicos, como a Terra Indígena Kadiwéu, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, a Rede Amolar, a Serra da Bodoquena, além de propriedades rurais e parceiros ligados à agropecuária”, explicou Letícia.
Para orientar esse trabalho, a estratégia está organizada em cinco frentes de atuação:
- Integrar: fortalecer instituições e políticas públicas;
- Capacitar: desenvolver conhecimentos, lideranças e formas de gestão;
- Proteger: conservar a biodiversidade e os recursos naturais;
- Monitorar: produzir dados e acompanhar os resultados das ações;
- Financiar: buscar recursos e criar mecanismos financeiros sustentáveis.
Durante o encontro, também foram apresentados os resultados de aproximadamente 18 meses de trabalho, desenvolvidos por meio de oficinas, entrevistas, consultas e diálogos com diferentes atores do território. Esse processo teve como marco o Workshop de Mapeamento de Iniciativas Alinhadas à Abordagem de Paisagem, realizado em agosto de 2025, no Parque Estadual Mata do Segredo.
A proposta tem uma visão de longo prazo e pretende construir, ao longo dos próximos 10 anos, um caminho de cooperação entre diferentes setores para garantir a proteção do Pantanal e a qualidade de vida das pessoas que vivem e dependem desse território.
Os próximos passos incluem organizar atores, conhecimento e financiamento para atuar em escala de paisagem, fortalecendo iniciativas que já existem e as parcerias no território.




















