O feriado de 1º de maio é, historicamente, uma data de reconhecimento e celebração. No entanto, para quem acorda cedo para movimentar a economia de Campo Grande, o Dia do Trabalhador tem trazido mais reflexões e cobranças do que motivos para comemorar. Ser trabalhado na capital sul-mato-grossense tornou-se um teste de resistência, onde a vontade de produzir esbarra na negligência com a segurança e na alta carga tributária.
Para a CDL Campo Grande a realidade de quem está atrás do balcão ou administrando um pequeno negócio beira o limite do esgotamento. O dia a dia no comércio da capital tem sido marcado pela grave falta de segurança pública e pela precariedade na iluminação, um descaso com o transporte coletivo e principalmente as “crateras” espalhadas pelas ruas da capital. Esse cenário de abandono funciona como um convite à criminalidade, resultando em uma onda frequente de furtos às lojas, que não apenas gera prejuízos financeiros severos, mas também impõe um clima de medo e tensão aos colaboradores durante o expediente.
O trabalhador punido pela falta de estrutura e pelo excesso de impostos
Como se não bastasse o desafio de trabalhar sob a ameaça da violência física e patrimonial, o cidadão campo-grandense enfrenta ainda a fatura cobrada pelo Estado. O ambiente de negócios, que já opera com margens extremamente comprimidas, lida agora com o cenário de implementação da nova reforma tributária e a inevitável elevação da carga sobre o consumo.
A entidade critica duramente o fato de que a população paga uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas não vê o retorno em serviços básicos, como ruas seguras e iluminadas. O aumento contínuo do custo operacional, impulsionado pelas novas regras tributárias e por inseguranças regulatórias, gera um perigoso efeito em cadeia. O resultado direto dessa equação recai sobre o próprio trabalhador: retração nas contratações, risco de aumento da informalidade e o repasse obrigatório de custos, que encarece o preço dos produtos nas prateleiras e destrói o poder de compra das famílias.
“Afinal, quem paga essa conta?”, questiona a entidade, alertando que punir o setor produtivo é punir a ponta da economia, afetando o consumidor, o pequeno empresário e, fatalmente, o próprio trabalhador formal.
Neste 1º de maio, a verdadeira homenagem ao trabalhador não deveria se fazer apenas garantindo a folga no feriado, mas sim oferecendo o direito básico de ir e vir com segurança, um ambiente urbano estruturado e livre de criminalidade, e um sistema de impostos justo.



















