A criação de um Fundo Nacional de Proteção do Pantanal é uma das propostas apresentadas pela candidata a deputada federal Gleycielli Nonato Guató (PSOL) para ampliar as políticas de preservação do bioma. A iniciativa prevê recursos permanentes para prevenção e combate a incêndios, formação e contratação de brigadistas, aquisição de equipamentos, monitoramento, pesquisa científica, recuperação de áreas atingidas e apoio às comunidades pantaneiras.
A proposta parte da necessidade de ampliar as ações antes, durante e depois dos períodos de incêndios. Para Gleycielli, a proteção do Pantanal precisa deixar de depender apenas de respostas emergenciais. “O Pantanal não pode continuar sendo lembrado pelo Brasil apenas quando está em chamas. Precisamos sair da lógica de agir somente depois da tragédia. O Pantanal precisa de recursos permanentes para prevenção, formação e contratação de brigadistas, equipamentos, monitoramento, pesquisa científica, recuperação das áreas atingidas e apoio às comunidades que vivem no território”.
A proposta também prevê a participação permanente das comunidades locais na proteção do território. Segundo Gleycielli, povos indígenas, ribeirinhos, pescadores, pequenos produtores e outros trabalhadores que vivem no Pantanal possuem conhecimentos fundamentais para as estratégias de prevenção e combate aos incêndios.
“Quem vive no Pantanal conhece o território de uma maneira que nenhum mapa consegue explicar completamente. Conhece os caminhos, as águas, a vegetação, os períodos de seca e os sinais da natureza. E os povos indígenas carregam conhecimentos ancestrais que precisam ser respeitados e incorporados às políticas públicas”.
Nesse modelo, as brigadas comunitárias seriam estruturadas com formação, equipamentos, remuneração, segurança e comunicação, em articulação com órgãos públicos e instituições de pesquisa. “Comunidade não é mão de obra barata para combater incêndio. É conhecimento, é trabalho e é protagonismo territorial”.
Proteção do Pantanal a partir do interior
A proposta também estabelece que a estrutura de prevenção e resposta deve chegar aos municípios e comunidades que estão diretamente no território. Entre as regiões citadas estão Coxim, Corumbá, Aquidauana, Miranda, Bonito e Porto Murtinho, considerando as características de cada localidade.
Gleycielli defende que a proteção do bioma esteja relacionada também à preservação da água, da biodiversidade, do trabalho, da cultura, do turismo e das atividades econômicas que dependem do Pantanal. “Proteger o Pantanal é proteger a vida. É proteger a água, a biodiversidade, o trabalho de quem vive do território, a cultura dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, o turismo, a pesca, a agricultura e tantas outras atividades que dependem desse bioma”.
Conforme a candidata, a preservação precisa ser tratada como uma política permanente, com planejamento, recursos e participação das populações que vivem no território. “Eu venho de um povo indígena do Pantanal. Para nós, o Pantanal não é simplesmente um lugar no mapa. É território, memória, ancestralidade e vida”.
A proposta busca, portanto, estruturar uma política que atue não apenas diante dos incêndios, mas também na prevenção, na recuperação ambiental e na valorização dos conhecimentos de quem vive no bioma.



















