Sábado, 20 de setembro, será um dia de intensas experiências no Festival Internacional de Teatro (FIT) de Dourados, com uma programação que transita do universo lúdico da infância à potência política do teatro de rua e à irreverência do teatro do absurdo.
A manhã começa com o espetáculo “Balança, Mas Não Cai”, da Cia Theastai de Dourados, às 10h na praça Antônio João, que abre espaço para as crianças, mas sem perder o diálogo com toda a família. A palhaça Tarzica, interpretada por Társila Bonelli, se apresenta como uma palhaça-criança que enfrenta a ausência de um ente querido. No palco – ou melhor, na rua – as instabilidades emocionais se misturam à fisicalidade da dança, ao equilíbrio no arame e à dança vertical, num jogo que conecta sensibilidade, humor e delicadeza.
Para a atriz, esse contato direto com o público na rua reafirma o papel democrático do teatro. “A arte deve ser de todos e para todos. O fato de estarmos na rua, diante das famílias, das crianças, é maravilhoso porque alcança a finalidade que realmente pretendemos, que é esse diálogo com a sociedade em geral. Desde criança precisamos consumir arte e cultura, pois é daí que nasce um olhar reflexivo e transformador”, destaca Társila Bonelli.
Às 16h, no Parque Rego D´água, o Grupo Teatro Maracangalha, de Campo Grande, apresenta “TEKOHA – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno”, espetáculo de rua que emerge como documento vivo da luta dos povos originários.
O diretor Fernando Cruz ressalta que o trabalho, ao ser encenado em Dourados, traz à luz narrativas invisibilizadas e faz do teatro uma ferramenta de reflexão sobre o país. “É de grande importância apresentar essa narrativa no próprio lugar, pois fala da história desse povo confinado em seu território. O espetáculo abre uma reflexão sobre o futuro, sobre como isso impacta na história do país e de cada um de nós. O teatro de rua tem essa potência: organizar narrativas, sensibilizar e abrir reflexões, atingindo corações e mentes”.
Encerrando a noite, às 20h, no Sucata Cultural, a Cia Theastai retorna aos palcos com “Quem Matou o Morto?”, uma montagem inspirada no Teatro do Absurdo, que mistura circo, dança e música para ironizar e questionar a figura de ditadores ao longo da história. Entre humor e acidez, a peça provoca o público a refletir sobre as cicatrizes deixadas pela violência política.
A programação de sábado reafirma a vocação do FIT em reunir espetáculos plurais, que falam a públicos diversos, da criança ao adulto, da poesia à denúncia, da alegria ao espanto. E encerra com o Bar do FIT no Sucata Cultural, com a apresentação do cantor Dovalle.
O Festival Internacional de Teatro de Dourados é uma realização da Universidade Federal da Grande Dourados e do SESC/MS, com apoio da FUNAEPE, Prefeitura de Dourados, Casulo – Arte e Cultura, Sucata Cultural e UEMS. O FIT integra a programação especial de celebração aos 20 anos da UFGD.
Serviço
Programação de SÁBADO, 20 de setembro
10:00 – Praça Antônio João – Balança mas não Cai
14:00 – NAC Unidade 2 – Oficina “Convers-AÇÕES”, com Armazém Companhia de Teatro (RJ)
16:00 – Parque Rego D’água – Tekoha – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno
20:00 – Sucata Cultural – Quem Matou o Morto
21:00 – Sucata Cultural – Bar do FIT com Dovalle




















