Em uma mesa, pai e filho tentam descobrir juntos como conduzir uma bolinha até o destino. Em outra, amigos disputam quem tem mais equilíbrio, precisão ou raciocínio. Não há aplicativo para baixar, controle ou uma tela indicando o próximo passo. Para jogar, é preciso estar presente.
Essa é justamente a provocação por trás do Original Game, atração que está em curta temporada no Bosque dos Ipês, em Campo Grande. Em tempos de celulares, videogames e experiências cada vez mais digitais, o projeto segue por outro caminho: reúne jogos físicos e interativos que convidam crianças, adolescentes, adultos e idosos a brincarem juntos.
O projeto é criação de Paulo Zimmermann, também responsável pelo Museu das Ilusões. Segundo ele, um dos maiores desafios durante o desenvolvimento foi criar algo capaz deinteressar diferentes gerações ao mesmo tempo.
“Normalmente você tem projetos para crianças, projetos para adultos, projetos para adolescentes. É difícil criar um projeto que seja para a família toda”, explica Zimmermann.
Brincar junto em tempos de celular
Uma segunda inquietação ajudou a orientar a criação: a relação cada vez mais individual com a tecnologia. Zimmermann observa o crescimento dos videogames, da realidade aumentada e das experiências digitais, mas acredita que existe hoje um desafio diferente para famílias e grupos de amigos: criar momentos em que todos participem juntos.
“Hoje está cada um no celular diferente ou cada um no videogame separado. Então, o desafio é conseguir juntar as pessoas para brincar, se divertir, fazê-las pensar e desenvolver suas habilidades”, afirma.
No Original Game, a proposta não é transformar a tecnologia em vilã, mas mostrar que ainda existe espaço para experiências presenciais. Os participantes precisam usar habilidades mentais e motoras, testar estratégias, insistir depois dos erros e interagir uns com os outros.
Atualmente, a atração conta com cerca de 40 experimentos. Zimmermann conta que outros dez jogos de parede estão previstos para ampliar o acervo e que o projeto foi pensado para continuar crescendo ao longo dos próximos anos.
Dos jogos medievais às escolas da Coreia do Sul
A pesquisa que deu origem ao Original Game começou em 2016. Zimmermann passou a observar atividades semelhantes em eventos nos Estados Unidos e, posteriormente, encontrou referências também na Índia e na Coreia do Sul, onde jogos desse tipo são utilizados inclusive em escolas e festivais escolares.
As peças foram construídas a partir de diferentes referências. Há adaptações de jogos tradicionais, como o boliche e desafios de condução de bolinhas, além de experimentos inspirados em jogos medievais, todos reinterpretados com identidade própria.
Segundo o criador, foram cerca de um ano e meio de desenvolvimento e construção até que o projeto ganhasse forma. Campo Grande é a terceira cidade a receber a atração, depois de uma passagem inicial por Brasília, utilizada para testar o evento, e de uma temporada em Belém.
Até o criador tem seu desafio
Entre dezenas de experimentos, existe um que ainda desafia o próprio criador. Zimmermann aponta o Orbital, no qual o participante precisa conduzir uma bolinha de um lado para o outro, como um dos mais difíceis para sua habilidade motora.
Mais do que descobrir quem consegue completar cada desafio, porém, o conceito do Original Game está naquilo que acontece durante as tentativas: pessoas de diferentes idades precisam pensar, tentar, errar, rir e brincar juntas.
É uma experiência que, em meio a uma rotina cada vez mais mediada por telas, propõe algo simples: estar presente e dividir a brincadeira com quem está ao lado.



















