A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Comunidade Tia Eva, viveu nesta segunda-feira (28) um momento histórico para a cultura e para a memória da população negra brasileira. Em cerimônia realizada em Campo Grande, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, entregou oficialmente o título de tombamento da comunidade, primeira comunidade quilombola do país inscrita no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O reconhecimento federal contempla as referências históricas e culturais construídas pela comunidade ao longo de gerações, incluindo seu território, espaços de convivência, práticas e tradições. Entre os símbolos do local está a Igreja de São Benedito, construída em 1919 e que passa por processo de restauração. O processo de tombamento teve início em 2024, a partir do diálogo entre o Iphan e os moradores, e a declaração de tombamento ocorreu em março de 2026.
A cerimônia reuniu moradores, descendentes de Tia Eva, representantes de comunidades quilombolas, gestores culturais, artistas e representantes do poder público. Antes da entrega do título, a programação contou com o encontro “Cultura Transforma o Território: as políticas públicas de cultura do presente e para o futuro do Brasil”, promovido no próprio território quilombola.
Presente na cerimônia, a candidata a deputada estadual Ladi Souza acompanhou o reconhecimento e destacou o significado do momento para a preservação da memória da população negra em Mato Grosso do Sul.
“É um momento que nos faz olhar para a nossa história e reconhecer a trajetória de quem construiu e preservou esse território ao longo de gerações. A Comunidade Tia Eva carrega uma memória que faz parte da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Ver esse reconhecimento acontecer dentro da própria comunidade é muito simbólico, porque preservar a memória também é reconhecer a contribuição e a resistência da população negra na construção do nosso Estado”, afirmou.
Para Ladi, o tombamento também chama atenção para a necessidade de que o reconhecimento histórico seja acompanhado por políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades que ainda atingem comunidades negras e quilombolas.
“É muito grandioso ter a nossa ministra da cultura, Margareth Menezes aqui na nossa comunidade. É uma forma de valorização para a população quilombola, aqui da comunidade Tia Eva. Hoje a Margareth Menezes também está aqui para mostrar que é possível também chegarmos lá, ela como mulher negra nos representa. Precisamos de mais representantes negras em lugares de poder”, afirma a moradora Tatiane Penha.
A questão racial integra as propostas apresentadas pela candidata Ladi em seu programa para a Assembleia Legislativa. Entre as medidas estão políticas de enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, ações afirmativas em bolsas, qualificação, inovação e empreendedorismo e a ampliação da participação de empreendedores negros, indígenas e quilombolas nas compras públicas. Na educação, Ladi propõe fortalecer políticas específicas para estudantes indígenas, com formação de professores, materiais próprios, ensino bilíngue e valorização das línguas indígenas, além de uma política de permanência para estudantes quilombolas na UEMS, com bolsas, moradia, transporte, alimentação, apoio acadêmico e incentivo à iniciação científica.
“Reconhecer uma comunidade como a Tia Eva também nos lembra que a igualdade racial precisa estar presente nas políticas públicas, na educação, na cultura e nas oportunidades. A memória não pode ser apenas preservada; ela precisa ser conhecida, valorizada e incorporada às decisões que constroem o futuro”, completa Ladi.




















