O temporal que atingiu Campo Grande no final da última semana deixou um rastro de destruição que vai muito além das estatísticas meteorológicas. Para o varejo de comércio e serviços da capital, a conta é real, dolorosa e imediata: estimamos um prejuízo acumulado superior a R$ 25 milhões.
É inaceitável, no entanto, que o poder público continue tratando essa tragédia apenas como um evento da natureza. A chuva e as rajadas de vento cobraram um preço desproporcional porque encontraram uma cidade vulnerável, marcada pela negligência crônica na zeladoria básica e pela burocracia paralisante na gestão da arborização urbana.
Grande parte do estrago não caiu do céu. Caiu de troncos podres, árvores ocas e galhos condenados que já deveriam ter sido removidos ou podados há meses. O empresário campo-grandense vive um dilema absurdo: protocola pedidos formais, aponta o risco iminente de quedas sobre a fiação e calçadas, mas esbarra em vistorias lentas, laudos intermináveis e entraves cartorários. Se age por conta própria para proteger vidas e o patrimônio, recebe sanções imediatas; se aguarda a ação do município, vê a árvore desabar sobre sua fachada e arrebentar a rede elétrica.
Essa paralisia administrativa custou caro. A queda de árvores em estado de decomposição sobre postes e transformadores provocou um apagão prolongado em dezenas de bairros e corredores comerciais, paralisando o setor produtivo em pleno fim de semana. Foram portas fechadas nos dias de maior movimento, perda maciça de mercadorias perecíveis em câmaras frias de supermercados, restaurantes, padarias e açougues, além de equipamentos queimados e custos emergenciais que muitos pequenos negócios simplesmente não têm fôlego para absorver.
Desde a sexta-feira, a CDL Campo Grande atuou em regime ininterrupto para socorrer quem estava no escuro. Recebemos mais de 380 chamados de empresários desesperados com a iminência do colapso de suas operações. Por meio de um canal de interlocução institucional construído de longa data com a concessionária Energisa, triamos e encaminhamos as Unidades Consumidoras desses estabelecimentos para que fossem atendidas com a máxima prioridade operacional possível, esforço que tem sido correspondido pelas equipes de campo da distribuidora dentro da gravidade do cenário.
Contudo, remediar o estrago não resolve a causa. A concessionária religa a fiação, o comércio tenta contabilizar as perdas, mas quem responde pela árvore que não foi retirada a tempo?
Preservação ambiental de verdade se faz com planejamento, manejo técnico preventivo e agilidade na remoção de espécimes que ameaçam a segurança pública. Manter árvores mortas em pé não é sustentabilidade, é omissão.
A CDL Campo Grande exige uma revisão imediata e simplificada dos procedimentos de licenciamento e poda de árvores no município, bem como um plano emergencial de varredura e manejo nas áreas comerciais da capital. O varejo de comércio e serviços gera emprego, sustenta famílias e recolhe tributos rigorosamente em dia. O mínimo que exige em contrapartida é uma zeladoria urbana eficiente, que não desmorone a cada chuva e não desligue o sustento da nossa cidade.



















