Música, arte, memória, ancestralidade e economia criativa se encontram neste sábado (7), em Dourados, durante a 22ª edição da Feira das Pulgas, realizada em parceria com o Festival de Música Indígena. Das 17h às 22h, o Casulo – Espaço Cultural e Arte recebe uma programação que reúne artistas indígenas e não indígenas, expositores locais e diferentes manifestações culturais, em uma celebração da diversidade e do intercâmbio entre comunidades. Com entrada gratuita, as atividades começam pela manhã, com exposição, oficinas e vivências culturais.
A iniciativa aproxima dois projetos que têm em comum a valorização da cultura, da produção artística independente e dos encontros coletivos. Conhecida por reunir pequenos empreendedores, artistas e criadores, a Feira das Pulgas é um espaço de comercialização, circulação e troca de produtos e saberes. O público encontrará opções de arte, brechós, botânica, gastronomia, artesanato, sebos, tatuagem, piercing e outras iniciativas criativas. Mais do que um espaço de vendas, a feira fortalece a economia local, dá visibilidade a produtores independentes e estimula a convivência.
Para Miguel Kopenot, integrante do grupo de dança Honoyo — que significa “vitória” na língua Terena —, o Festival tem um papel importante na valorização e na divulgação das culturas indígenas. “É um espaço de troca, de conhecimento e de respeito, em que podemos compartilhar nossas tradições, mostrar nossa cultura e fortalecer esse diálogo entre os povos”, destaca.
A programação cultural começa às 8h30, com abertura do Festival, visitação à exposição de artes visuais, artesanatos e rezas com as Nhandesys, lideranças espirituais indígenas. Ao longo do dia, o público também poderá participar de oficinas de confecção de redes e de artesanato, além de atividades de contação de histórias e circo para jovens, realizadas pelo Programa Cultivar e pelo Grupo Itan, em parceria com a Caixa de Barro. Às 17h30, estão previstas rezas com as Nhandesys, acompanhadas de explicações e tradução em português. Na sequência, às 18h, haverá apresentação de dança Terena.
A programação musical começa às 19h, com o Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do Brasil. Formado em 2009 por artistas Guarani e Kaiowá das aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, o grupo utiliza o rap como instrumento de afirmação identitária, enfrentamento ao racismo e defesa dos territórios indígenas. Com rimas em português e guarani, os artistas ganharam projeção nacional e internacional e já dividiram trabalhos com grandes nomes como Anitta e Alok, além de participar de festivais, como o Rock in Rio.
Às 20h30, o palco recebe Djuena Tikuna, uma das principais referências da música indígena brasileira. Natural da aldeia Umariaçu II, na Terra Indígena Tukuna Umariaçu, no Amazonas, a cantora entrou para a história em 2017 ao se tornar a primeira artista indígena a produzir e protagonizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas. Na ocasião, lançou o álbum Tchautchiüãne, indicado ao Indigenous Music Awards. Além da carreira musical, Djuena atua como jornalista, documentarista e produtora cultural, com trajetória marcada pela defesa dos direitos dos povos indígenas.
Encerrando a programação musical, às 21h30, a DJ Katharina, drag queen, atriz, modelo e produtora cultural, também residente do Casulo, apresenta um set que mistura música eletrônica, pop, ritmos tradicionais e MPB em diálogo com sonoridades contemporâneas.
Para Júlia Aissa, coordenadora do Casulo e gestora dos eventos, encerrar o ano reunindo a Feira das Pulgas e mais uma rodada do Festival representa a continuidade de um trabalho de aproximação e intercâmbio cultural. “É uma satisfação muito grande chegar a este momento do ano com os dois eventos. Em agosto, realizamos essa junção da feira e do festival, e foi um sucesso. Além disso, tivemos experiências muito importantes ao longo deste ano, como a circulação do Festival pelos territórios de Amambai e Paranhos e a inauguração da Casa de Reza Ára Jeguaka, na comunidade de Panambizinho, em Dourados”, destaca.
Em um contexto marcado por ameaças aos direitos e aos territórios indígenas, a união entre a Feira das Pulgas e o Festival de Música Indígena também assume um sentido de afirmação política e cultural. “A programação reconhece a produção artística dos povos originários, suas lutas e a importância de espaços em que suas vozes, narrativas e expressões ocupem lugar de protagonismo. Pela arte, pela música e pela convivência, o encontro propõe fortalecer pontes entre a população indígena e não indígena”, pontua Júlia.
O Festival de Música Indígena conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura(MinC) e do Governo Federal. A execução ocorre por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) e do Governo de Mato Grosso do Sul. A programação é realizada pelo Casulo – Espaço Cultural e Arte. Mais informações pelo Instagram @casulodourados.
Serviço:
Feira das Pulgas e Festival de Música Indígena em Dourados
Data: 7 de novembro (sábado)
Local: Casulo – Espaço Cultural e Arte
Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398 – Parque Alvorada, Dourados (MS)
Programação: a partir das 8h30 às 17h, com exposição, oficinas, atividades culturais e rezas.
- 17h30 – Rezas com as Nhandesys
- 18h – Apresentação de dança Terena
- 19h – Brô MC’s
- 20h30 – Djuena Tikuna
- 21h30 – Katharina (DJ set)
Feira criativa: arte, brechós, botânica, gastronomia, produtos artesanais, sebos, tatuagem, piercing e muito mais.
Instagram: @casulodourados




















