A partir da percepção de que muitas famílias não possuem um repertório necessário para lidar com experiências que fogem às normas sociais tradicionais, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) promoveu, nessa quarta-feira (20), a roda de conversa Maternidade e LGBTfobia: e se seu(sua) filho(a) for LGBT+?.
O encontro foi organizado pelo Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, na sede da instituição em Campo Grande, com transmissão simultânea para outros integrantes na capital e interior do estado.
Mediado pela psicóloga clínica e mestra em Psicologia, Veridianna Oliveira de Queiroz, o evento buscou promover um diálogo aberto sobre acolhimento, respeito às diferenças e construção de ambientes mais inclusivos e humanizados. Entre os pontos abordados, estiveram conceitos fundamentais como identidade de gênero, orientação sexual, heteronormatividade e impacto do vínculo familiar no desenvolvimento de jovens LGBT+.
Também foi discutido o contexto histórico da diversidade no Brasil, por meio do qual Veridianna Queiroz sublinhou que gênero não é uma pauta exclusiva de minorias, mas um elemento constitutivo das relações sociais e estruturas de poder. Segundo a expositora, muitas famílias enfrentam dificuldade para compreender experiências que escapam de um contexto apresentado socialmente como normal, o que exige novos aprendizados e processos de transformação.
A roda de conversa contou ainda com reflexões sobre o papel das mães no acolhimento de filhos LGBT+, destacando a relevância de práticas como escuta ativa, comunicação respeitosa, uso correto do nome, tratamento natural do tema e proteção contra atos de violência dentro e fora do núcleo familiar.
“O encontro com a diversidade pode provocar medos, dúvidas, afetos e lutos em inúmeras mães. Muitas vezes, eles nascem da falta de informação e não necessariamente do preconceito. Logo, criar espaços seguros emocionalmente, para diálogos, é fundamental para evitar generalizações sobre a vida e as identidades dos filhos”, propôs Queiroz durante a conversa.
Ao longo do evento, vários participantes compartilharam vivências pessoais que demonstram a importância de garantir que o lar seja um espaço de aceitação efetiva, pertencimento e respeito às diferenças.
Sobre o Comitê
O Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do MPT-MS atua na promoção da igualdade de oportunidades, no combate a todas as formas de discriminação e no fortalecimento de uma cultura organizacional baseada no respeito à dignidade humana e na valorização da diversidade.
“Eventos assim ampliam nossa habilidade de refletir sobre a diversidade, pensar nos impactos da escuta familiar, discutir possibilidades de acolhimento e compartilhar experiências, dúvidas e perguntas que nos ajudem a pensar identidade de gênero para além do biológico, para além do essencialismo”, avalia a procuradora do Trabalho e coordenadora do comitê, Rosimara Delmoura Caldeira.




















