Presidente da CRE e da comissão de inteligência do Congresso participa de encontro do ParlAmericas sobre crime organizado, cooperação internacional e controle parlamentar; agenda também inclui integração comercial e Rota Bioceânica, estratégica para Mato Grosso do Sul
O adiamento da votação da PEC da Segurança Pública no Senado, na quinta-feira (15), manteve em aberto o debate sobre como o país deve fortalecer o combate ao crime organizado. A proposta, retirada da pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prevê mudanças na integração entre os órgãos de segurança e no enfrentamento às organizações criminosas.
É nesse contexto que o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), participa de missão oficial no Chile. A programação inclui o 2º Encontro da Rede Parlamentar sobre Segurança do ParlAmericas, em Valparaíso, entre os dias 21 e 23 de outubro.
Com o tema “Segurança pública nas Américas e no Caribe: respostas parlamentares diante do crime organizado e da violência”, o encontro discutirá o financiamento de redes criminosas, o tráfico de drogas, pessoas e armas, a lavagem de dinheiro, a mineração ilegal e os crimes cibernéticos. Também estão previstos debates sobre inteligência, fiscalização parlamentar e os impactos da violência na vida das comunidades.
“Não basta discutir segurança pública olhando apenas para dentro do próprio país. As organizações criminosas movimentam recursos e estabelecem conexões que ultrapassam fronteiras. O Brasil precisa fortalecer sua capacidade de inteligência, integrar suas instituições e ampliar a cooperação com os países vizinhos”, defendeu o senador, lembrando da situação do estado que representa. Mato Grosso do Sul está localizado na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia.
Inteligência e controle parlamentar
À frente da CCAI, responsável pelo controle parlamentar das atividades de inteligência do Estado, o senador acompanha discussões sobre o papel desses órgãos na segurança nacional. Também é relator do chamado PL da Inteligência, que busca atualizar o marco legal das atividades de inteligência no Brasil.
Durante o encontro no Chile, a programação prevê debates sobre supervisão parlamentar dos serviços de inteligência, uso de inteligência artificial na segurança pública e responsabilidades das instituições no enfrentamento ao crime.
“Inteligência é uma ferramenta fundamental para identificar ameaças, compreender a estrutura das organizações criminosas e orientar a atuação do Estado. Essa capacidade precisa estar acompanhada de regras claras, coordenação entre as instituições e controle parlamentar. O objetivo é fortalecer o combate ao crime dentro da lei”, afirma o senador Nelsinho Trad.
Proteção de pessoas e direitos
A programação do ParlAmericas também inclui discussões sobre segurança pública e direitos humanos, com atenção à proteção de mulheres e meninas contra a violência. O encontro prevê debates sobre políticas e recursos para prevenção, enfrentamento dessas violações e garantia de acesso à Justiça.
Rota Bioceânica: desenvolvimento e segurança nas fronteiras
A missão também contempla a integração econômica entre Brasil e Chile. Em Santiago, no dia 20, o senador Nelsinho Trad vai participar de compromissos sobre relações bilaterais e integração bioceânica, incluindo encontro com representantes do setor empresarial chileno para discutir o Corredor Vial Bioceânico.
A Rota Bioceânica conecta o Brasil, a partir de Mato Grosso do Sul ao Paraguai, à Argentina e aos portos do Norte do Chile. O corredor pode ampliar as alternativas logísticas para o comércio exterior e facilitar o acesso da produção regional aos mercados asiáticos, reduzindo o tempo de viagem em até 14 dias.
Na presidência da CRE, o parlamentar tem defendido a consolidação da rota e participado da articulação de recursos para sua infraestrutura. Desde o início do mandato, conseguiu R$ 516 milhões em investimentos no corredor junto com a bancada federal e R$ 99 milhões no orçamento federal de 2026 para o trecho Bataguassu-Porto Murtinho.
“A Rota Bioceânica não depende apenas da construção das obras físicas. A conclusão dos acessos, a coordenação dos procedimentos aduaneiros, a redução de entraves burocráticos e a segurança no transporte de cargas são fatores importantes para que essa conexão se traduza em ganhos para empresas e produtores”, afirma.
A integração comercial também exige cooperação para garantir a segurança nas fronteiras. O tema aproxima a agenda da Rota Bioceânica das discussões sobre crime organizado previstas no ParlAmericas, especialmente diante da necessidade de conciliar circulação de mercadorias, fiscalização e combate às atividades criminosas transfronteiriças.




















