A Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL Campo Grande) quer saber quem esteve na Câmara Municipal na terça-feira, 20 de outubro. A entidade enviou, nesta quinta-feira (22), dois ofícios: um ao presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto (Papy), e outro ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Os documentos pedem informações e apuração sobre a presença de servidores públicos municipais durante o expediente.
A sessão teria a participação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, que prestaria esclarecimentos sobre as condições das vias e os serviços de tapa-buraco na Capital. O assunto afeta comerciantes, trabalhadores e moradores.
Houve tumulto no plenário. O servidor municipal Antônio de Jesus, conhecido como “Charupá”, quebrou material usado por um manifestante e precisou ser retirado pela segurança. A Presidência da Casa encerrou os trabalhos, e os questionamentos sobre o serviço ficaram sem resposta.
Após o episódio, parlamentares e a imprensa levantaram dúvidas sobre a mobilização de grupos para acompanhar a sessão, com alegações de transporte organizado e oferta de benefícios para estimular a presença de moradores que nem sabiam ao certo o que estavam fazendo no local.
O que a CDL pergunta à Câmara?
No Ofício nº 42/2026, a entidade pede que a Câmara informe:
quantas pessoas tiveram acesso à Casa e ao plenário na sessão;
se houve identificação ou cadastramento dos presentes e, em caso positivo, se os dados podem ser disponibilizados, dentro dos limites legais;
se havia grupo de servidores municipais e, se sim, quantos eram e a quais órgãos estavam vinculados;
se os servidores estavam em horário de expediente e se havia justificativa ou autorização para estar no local;
se há registros ou imagens que mostrem como os grupos chegaram, inclusive o uso de transporte organizado.
O que a CDL pede ao Ministério Público?
No Ofício nº 43/2026, a CDL solicita que o MPMS avalie, dentro de suas atribuições, apurar a identificação dos servidores presentes e a situação funcional de cada um. O pedido também inclui verificar se houve convocação ou orientação por parte de agentes públicos e se veículos ou recursos do Município foram usados para transportar ou organizar participantes. Outros pontos são a oferta de benefícios ou vantagens pela presença, a conduta dos servidores envolvidos no tumulto e se a mobilização teve o objetivo de pressionar a atividade parlamentar ou dificultar a sessão.
A CDL deixa claro nos documentos que o pedido não antecipa conclusões nem atribui responsabilidades. O objetivo é que os órgãos competentes esclareçam os fatos.
“Uma sessão que fiscalizava um serviço público essencial para quem trabalha e empreende em Campo Grande foi interrompida. O comércio e a população têm direito de saber o que aconteceu. Não acusamos ninguém, pedimos transparência e apuração”, afirma o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo.



















