A deputada estadual Gleice Jane (PT) manifestou solidariedade à deputada federal Camila Jara (PT), que denunciou ter sido impedida de participar de uma agenda institucional realizada na sede da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), na noite de quinta-feira (30), em Campo Grande.
Camila acompanhava a comitiva do Governo Federal, liderada pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, que cumpria agenda no Estado para discutir, entre outros temas, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo a parlamentar, ela foi impedida de participar da reunião por determinação do presidente da entidade, Sérgio Longen.
Para Gleice Jane, o episódio exige esclarecimentos e não pode ser tratado como um fato isolado.“Independentemente de divergências políticas, nenhuma instituição pode impedir uma parlamentar de exercer seu mandato. O respeito à democracia passa pelo respeito às pessoas que foram legitimamente eleitas pela população.”
A deputada estadual também destacou que Camila Jara tem exercido sua função constitucional de fiscalizar a aplicação de recursos públicos. Recentemente, a parlamentar, juntamente com o deputado federal Vander Loubet, solicitou esclarecimentos à FIEMS sobre a gestão de aproximadamente R$ 60 milhões em recursos públicos destinados à entidade.
“Fiscalizar a aplicação de recursos públicos não é um favor, nem uma afronta. É uma obrigação de quem exerce mandato parlamentar. Quem ocupa um cargo público não pode sofrer qualquer tipo de retaliação por cumprir esse dever.”
Gleice Jane também chamou atenção para o fato de que, segundo o relato de Camila Jara, ela foi impedida de participar justamente de um espaço de diálogo e construção de propostas para o desenvolvimento do Estado.
“Não podemos naturalizar episódios que reforçam a exclusão das mulheres dos espaços de poder. A presença feminina na política ainda enfrenta obstáculos que vão muito além da disputa de ideias. Quando uma deputada relata ter sido impedida de participar de uma agenda institucional para a qual estava convidada, durante o exercício de seu mandato, acende-se um alerta sobre práticas que podem configurar violência política de gênero e que precisam ser enfrentadas com seriedade.”
A parlamentar afirmou que instituições representativas da sociedade devem ser ambientes de diálogo, pluralidade e respeito.“Os espaços de construção das políticas públicas precisam estar abertos ao diálogo democrático. Nenhuma mulher pode ser constrangida ou afastada desses ambientes por exercer o papel para o qual foi eleita.”
Por fim, Gleice manifestou solidariedade à deputada federal e defendeu a apuração dos fatos. “Espero que tudo seja esclarecido com transparência. A democracia se fortalece quando o exercício da fiscalização é respeitado e quando mulheres podem exercer seus mandatos com liberdade, dignidade e segurança, sem qualquer forma de violência política.”




















