Gleycielli Guató é uma candidata a deputada federal pelo estado de Mato Grosso do Sul, representando a luta e os direitos dos povos indígenas. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a valorização das culturas indígenas e a promoção de políticas públicas que garantam igualdade e justiça social. Eleita, Gleycielli trabalhará incansavelmente para assegurar que as vozes de seu povo sejam ouvidas e respeitadas no cenário político nacional. A escolha de Gleycielli é um passo fundamental para a construção de um futuro mais justo e inclusivo para todos.
O que significa “aldear a política”? Para Gleycielli Nonato Guató, liderança indígena do povo Guató, escritora, cineasta, educadora e produtora cultural de Coxim, significa transformar a maneira como a política é pensada e feita no Brasil. O conceito parte dos fundamentos ancestrais dos povos originários e propõe colocar no centro das decisões temas como território, meio ambiente, identidade, água, terra, proteção dos biomas e o futuro das próximas gerações.
“Aldear a política é trazer a política para os nossos fundamentos ancestrais, onde o meio ambiente, o território, o nosso corpo-território e a nossa identidade sejam prioridades. É enxergar uma política decolonial, uma política que não seja construída de uma forma que prejudique a nossa existência”, declara a candidata a deputada federal pelo PSOL-MS.
A discussão ganha força em Mato Grosso do Sul, estado que reúne uma das maiores populações indígenas do país e onde o Pantanal é parte fundamental da identidade e da vida de diferentes comunidades. Para Gleycielli, levar essa perspectiva aos espaços nacionais de decisão significa fazer com que as políticas públicas também sejam construídas a partir das realidades dos territórios. “O Pantanal que temos hoje não é o mesmo que aparece nas fotografias antigas: ele está devastado. Quando protegemos esse território sagrado, protegemos a existência de todos”.
A proposta também dialoga com o conceito de “Bancada do Cocar”, defendido por movimentos indígenas como estratégia para ampliar a presença dos povos originários nos espaços de poder. Para Gleycielli, entretanto, não basta aumentar o número de indígenas eleitos.
“A Bancada do Cocar não traz apenas quantidade, traz um olhar diferenciado para a política realizada neste país. Precisamos de mais indígenas na política, mas também precisamos transformar a forma como as decisões são tomadas”.
A trajetória de Gleycielli atravessa justamente algumas das áreas que ela considera fundamentais para essa transformação. Professora, escritora, atriz, cineasta e produtora cultural, ela utiliza a educação e a cultura como ferramentas de preservação da memória e valorização da identidade indígena. “Tudo pode contribuir para aldear a política. A cultura, a literatura, o cinema e a educação podem transformar vidas, proteger o nosso bioma e transformar a maneira como as pessoas enxergam a nossa existência”.
Gleycielli também defende que “aldear” a política significa ampliar a mesa de decisões para além dos grupos que tradicionalmente ocupam os espaços de poder. “Precisamos ouvir as vozes das mulheres sul-mato-grossenses, das mulheres indígenas, das nossas crianças e meninas, do povo negro, das pessoas LGBTQIAPN+, da cultura, dos professores e de quem realmente constrói este estado e faz dele o seu lar”, conclui a candidata.




















