Com a chegada do período de contratações temporárias do varejo, as mulheres lideram a preferência dos empresários. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a OfferWise, estima 129,6 mil vagas para o fim de 2026 no país. Cerca de 42,6 mil delas devem ser ocupadas por mulheres, entre as empresas que declaram que a maioria das contratações será feminina. O número é 51,7% superior ao do ano anterior.
Entre os empresários das capitais que vão contratar, 46,1% priorizam mulheres, enquanto 17,1% preferem homens. A preferência feminina aparece com força no setor de comércio (35,9%) e nas microempresas de 0 a 4 funcionários (37,2%).
As vagas mais citadas são vendedor (23%), ajudante (22%), entregador (10%), manicure (10%), caixa (9%) e recepcionista (9%). Os cargos de ajudante e entregador mostram o avanço mais relevante da pesquisa, o que acompanha a migração das vendas para canais digitais, que dependem de logística própria.
Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o que ajuda a explicar a preferência feminina é o tipo de vaga. “Vendedor, caixa, recepcionista e manicure somam mais da metade das vagas citadas, e são funções com histórico de maioria feminina no comércio e nos serviços. Parte da preferência pode refletir apenas a composição das vagas. A manicure, por exemplo, é quase sempre ocupada por mulheres”, complementa.
A presidente ainda diz que o perfil das empresas também ajuda a explicar. “A preferência aparece mais no comércio e nas microempresas de 0 a 4 funcionários. Nesses negócios, a contratação costuma ser direta, por indicação e por proximidade, e a equipe já tende a ser majoritariamente feminina”, finaliza.
Salário menor, benefícios mais presentes
Ainda segundo a pesquisa, a remuneração média das vagas é de R$ 1.805, queda de R$ 138 em relação a 2025. A carga horária diária também recuou, de 7,75 para 7,54 horas. Em contrapartida, 71% das empresas oferecem algum benefício, o que indica que o corte no salário direto vem acompanhado de compensação por outra via.
A pesquisa tem recorte nacional e não traz números específicos do estado. Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, isso não impede a leitura local dos dados.
“Os números são de uma amostra nacional, mas o comportamento do lojista sul-mato-grossense costuma seguir a mesma direção. Em Mato Grosso do Sul, o comércio é formado em grande parte por micro e pequenas empresas, perfil em que a preferência por mulheres aparece com força na pesquisa. Por isso, entendemos que esses percentuais também podem se refletir aqui. Para a trabalhadora, a vaga temporária pode ser o primeiro passo para o emprego fixo. Para o lojista, é a chance de montar uma equipe preparada para a demanda de fim de ano”, afirma Inês.
Sobre a pesquisa
O estudo ouviu 510 empresários de todos os portes, dos setores de comércio varejista e serviços, de todas as regiões do país, nas capitais e no interior. A coleta foi feita por telefone (CATI). A margem de erro é de 4,3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.




















