O Partido Democrata retomou nesta quarta-feira, 4, o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, em uma derrota arrasadora para o presidente Donald Trump.
Pela primeira vez neste século, os democratas venceram em todo o estado do Texas, conquistando não apenas uma cadeira no Senado, mas também o governo estadual. Ganharam uma cadeira no Senado no Kansas, o que não acontecia há quase 100 anos. Conquistaram uma cadeira no Senado na Carolina do Sul, um estado que mal figurava no mapa das disputas eleitorais. E conquistaram cadeiras na Câmara dos Representantes em territórios tão tradicionalmente republicanos que os democratas estão a caminho de sua maior maioria no Congresso em anos.
As preocupações econômicas internas e uma guerra no exterior provaram ser uma combinação politicamente tóxica para Trump e seu partido. Os democratas estão a caminho de vencer a votação popular nacional para a Câmara dos Representantes pela maior margem em meio século.
Até o início desta manhã, os democratas tinham derrotado senadores republicanos no Texas, Carolinas do Sul e do Norte, Ohio, Minnesota, Iowa, Kansas, Maine e Michigan. Além disso, reelegeram senadores na Geórgia, Virgínia, Delaware, New Jersey, Rhode Island, Massachussetts, New Hampshire, Colorado, Illinois, Novo México e Oregon.
Com isso, contando os senadores que ainda estão no meio do mandato, chegaram à 54 senadores, três a mais que a maioria necessária para comandar a Casa.
Os democratas ainda têm chance de vencer no Alasca, o que elevaria essa maioria para 55 senadores.
Uma surpresa no Senado
As eleições de meio de mandato costumam ser difíceis para o partido do presidente, mas os republicanos inicialmente esperavam que sua maioria no Senado estivesse garantida. Em vez disso, os democratas avançaram por alguns dos estados mais conservadores do país.
Josh Turek derrotou a deputada Ashley Hinson em Iowa, enquanto Adam Hamilton derrotou o senador Roger Marshall no Kansas, tornando-se o primeiro senador democrata do estado desde 1932.
Uma série de vitórias democratas surpreendentes incluiu Talarico derrotando Ken Paxton no Texas, Andrews surpreendendo Graham na Carolina do Sul, Sherrod Brown superando o senador Jon Husted em Ohio e Roy Cooper conquistando uma vaga aberta na Carolina do Norte.
Menos surpreendente foi a reeleição do senador democrata Jon Ossoff na Geórgia, derrotando o deputado Mike Collins. O deputado Chris Pappas também venceu a eleição para o Senado em New Hampshire, derrotando o ex-senador John Sununu e substituindo a senadora democrata Jeanne Shaheen, que se aposentou.
Um dos estados decisivos na disputa pelo Senado era o Alasca, onde o governo Trump entrou com uma ação judicial para impedir a certificação dos resultados senatoriais caso o senador republicano Dan Sullivan perdesse a eleição, alegando a presença de um segundo candidato com o mesmo nome na cédula. A corrida para o Senado no Mississippi permanece indefinida.
Controle da Câmara
Na Câmara, os democratas tinham virado, até o início da madrugada, 10 assentos, sete a mais que o necessário para a maioria.
Até meados da manhã, os democratas tinham garantidos 228 assentos na Câmara contra 139 dos republicanos.
Com o avanço da apuração na costa oeste, sobretudo na Califórnia, e o avanço dos resultados democratas no resto do país, é improvável que os republicanos revertam a situação.
Uma projeção da rede de TV NBC estima a bancada democrata em 255 deputados contra 180.
Houve várias conquistas democratas em Iowa, Texas, Flórida e Pensilvânia, além de novas cadeiras para o partido em Kentucky, Missouri, Nebraska, Ohio e Utah. Em Iowa, a delegação congressista era composta inteiramente por republicanos antes da eleição. Agora, os democratas representarão três desses estados.
Simbolismos nas eleições para governadores
Além de Washington, 36 estados elegeram governadores. Os democratas Josh Shapiro, na Pensilvânia, JB Pritzker, em Illinois, Wes Moore, em Maryland, Maura Healey, em Massachusetts, e Kathy Hochul, em Nova York, foram reeleitos. Em uma surpreendente vitória no Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, que buscava um quarto mandato.
Em Ohio, o republicano Vivek Ramaswamy perdeu para a democrata Amy Acton depois que sua campanha enfrentou críticas por um anúncio que apresentava a mãe de Acton, com quem ela não tem contato há décadas, após seu marido, padrasto de Acton, ser indiciado por estuprá-la quando criança.
A democrata Keisha Lance Bottoms, da Geórgia, será a primeira governadora negra de qualquer estado americano. Na vizinha Flórida, Byron Donalds tornou-se o primeiro governador negro republicano eleito nos Estados Unidos.
Jeffries, prestes a fazer história como o primeiro presidente negro da Câmara dos Representantes do país, delineou uma agenda de 100 dias focada em reduzir o custo de vida e fiscalizar de forma rigorosa o governo Trump .
O desempenho particularmente forte dos democratas pode impulsionar o grande número de potenciais candidatos presidenciais do partido. Também pode complicar o caminho do vice-presidente JD Vance e de outros republicanos que talvez estivessem buscando transformar sua lealdade a Trump em vantagem.
‘Não me arrependo de nada’, diz Trump
O presidente Trump disse, na noite de terça-feira, que estava “absolutamente disposto” a aceitar os resultados das eleições de meio de mandato e preparado para trabalhar com os democratas.
“Estamos, sabe, ansiosos para trabalhar com eles”, afirmou ele em uma entrevista por telefone ao The New York Times. “Provavelmente chegaremos a um entendimento.”
Trump atribuiu as derrotas republicanas ao fato de ele não estar na disputa e classificou sua decisão de entrar em guerra contra o Irã como uma “decisão muito sensata”.
Ele declarou não ter arrependimentos por ter apoiado candidatos como a senadora Darline Graham — republicana da Carolina do Sul — e Ken Paxton, procurador-geral republicano do Texas; ambos foram derrotados em suas respectivas disputas eleitorais.
Ele insistiu que não se arrependia de nada em relação aos dois primeiros anos de seu segundo mandato, apesar das derrotas generalizadas dos republicanos. “Considero este o período de dois anos mais bem-sucedido na história de qualquer presidente”, afirmou.
Estadão Conteúdo.




















