Em uma eleição novamente marcada pela polarização, uma parcela do eleitorado chama atenção justamente por não se prender a um único campo político. São os chamados independentes, eleitores que podem transitar entre candidaturas de diferentes posições conforme o cargo, as propostas e as trajetórias apresentadas.
Análise divulgada pela CNN Brasil, a partir de estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), estima que esse grupo represente cerca de 20% do eleitorado, com forte presença de mulheres e jovens. Outro dado reforça o peso do voto feminino: pesquisa Datafolha de setembro apontou que 26% das mulheres ainda estavam indecisas, contra 14% dos homens.
Em Mato Grosso do Sul, uma das candidaturas que chegam a esse eleitorado é a da professora Gleice Jane (PT), que disputa a reeleição para deputada estadual. Professora da rede pública, sindicalista e feminista, Gleice chegou à Assembleia Legislativa em 2023 e tornou-se a primeira mulher do PT a ocupar uma cadeira na Casa.
Seu mandato tem como uma das marcas a presença nos territórios. Na educação, percorreu escolas e municípios ouvindo professores, administrativos e comunidades escolares. A atuação também alcança mulheres, povos indígenas, comunidades quilombolas, população LGBTQIA+, trabalhadores, agricultura familiar e movimentos do campo e da reforma agrária.
“Eu não estou distante do chão do movimento, distante da escola. Estamos junto com eles”, afirmou a parlamentar ao falar sobre sua atuação.
Ao tomar posse, Gleice também definiu como pretendia levar a experiência das mulheres para o Legislativo. “As nossas pautas serão pensadas a partir da vida cotidiana das mulheres, e a vida cotidiana das mulheres inclui a economia, a saúde, a educação, o meio ambiente.”
As mulheres são mais de 52% do eleitorado brasileiro, mas continuam minoria nos espaços de decisão. Em 47 anos de Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, apenas 11 mulheres ocuparam uma cadeira.
Em uma eleição na qual parte expressiva das mulheres ainda avalia suas escolhas, trajetória, presença nos territórios, propostas e atuação parlamentar são elementos concretos para comparar as candidaturas que disputarão o voto em 2026.



















