A futura vereadora de Campo Grande Cassy Monteiro (PL) divulgou nesta terça-feira (20), em suas redes sociais, que encaminhou uma representação ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para solicitar a apuração de possíveis irregularidades em manifestações políticas realizadas nas dependências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A iniciativa foi motivada por registros de atos com a participação de parlamentares e relatos de estudantes que afirmam temer perseguição por divergências políticas.
Em vídeo gravado em frente à UFMS, Cassy questionou a presença de parlamentares utilizando microfones, equipamentos de som e outras estruturas de mobilização dentro do campus universitário. A publicação também menciona manifestações realizadas durante o horário de expediente e levanta dúvidas sobre a possível utilização de espaços públicos para propaganda eleitoral. “Estudante tem todo o direito de debater política, e eu defendo isso com todas as letras. O problema não é o aluno. O problema é o político com mandato usando bem público para fazer campanha”, declarou.
Um dos principais pontos levantados envolve relatos de universitários que afirmam sofrer pressão em razão de suas posições políticas. Cassy relatou ter recebido denúncias de estudantes que pediram para não ser identificados por receio de possíveis represálias. “O mais triste é que o pedido de ajuda desses alunos sempre vem acompanhado de um ‘por favor, ninguém pode saber que fui eu quem denunciei’ ou ‘se souberem que eu falei, vão me perseguir’”, afirmou.
Outro episódio mencionado envolve uma gravação que circulou nas redes sociais, na qual uma pessoa identificada como professor afirma: “Quem não veio, vai reprovar”. Cassy reconheceu a possibilidade de a declaração ter sido feita em tom de brincadeira, mas questionou o impacto da mensagem sobre estudantes que relatam medo de perseguição.
Além da UFMS, a futura vereadora esteve na UEMS, onde afirmou ter presenciado uma manifestação de caráter político-partidário com a presença de parlamentares. O episódio também foi mencionado entre as situações que motivaram o pedido de apuração.
Na representação encaminhada ao Ministério Público Eleitoral, Cassy apresentou 18 questionamentos sobre as atividades realizadas nas instituições. Entre os pontos levantados estão a autorização dos eventos, a origem dos equipamentos utilizados, a eventual participação de servidores públicos durante o expediente e possíveis constrangimentos a estudantes para que participassem das manifestações.
“Eu, você, todos nós temos o direito de saber: quem autoriza, quem fornece a estrutura desses atos? Existem servidores públicos trabalhando para campanha eleitoral durante o expediente? Todos os alunos são livres para defender seu posicionamento político?”, questionou.
A futura vereadora também defendeu a liberdade de manifestação política dos estudantes, mas fez uma distinção entre o debate de ideias no ambiente acadêmico e a eventual utilização de estruturas universitárias para fins eleitorais. Para ela, as instituições públicas de ensino devem garantir espaço para diferentes posicionamentos, sem favorecimento partidário ou constrangimento de alunos. “A universidade não pertence a um grupo, não pertence a um partido, pertence a toda a sociedade”, afirmou.
Na mesma publicação, Cassy convidou estudantes de universidades de Mato Grosso do Sul que tenham enfrentado situações semelhantes a encaminhar seus relatos por meio de um grupo de WhatsApp divulgado em seu perfil.
As situações apresentadas ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Caberá ao Ministério Público Eleitoral analisar os elementos encaminhados e avaliar a necessidade de eventuais providências.




















