O Senado aprovou ontem, 14 de outubro, a proposta que encerra a escala 6×1 e reduz gradualmente a jornada semanal, sem redução salarial. A aplicação ainda depende da promulgação e dos prazos de transição. Valorizar o trabalhador e ampliar seu tempo de descanso é um objetivo legítimo.
Entretanto, a aprovação do fim da escala 6×1 precisa ser acompanhada de responsabilidade econômica e atenção às particularidades de cada atividade.
Muitos setores já enfrentam dificuldades com custos elevados, crédito caro e margens apertadas. Reduzir a jornada mantendo os salários aumenta o custo por hora trabalhada e, nas atividades que precisam funcionar continuamente, pode exigir novas contratações.
Essa conta precisa ser considerada com seriedade. Na pecuária leiteira, essa preocupação é ainda maior. As vacas precisam ser ordenhadas, alimentadas e cuidadas todos os dias, inclusive aos domingos e feriados. O descanso deve ser garantido por equipes em revezamento, mas isso exige profissionais disponíveis e
recursos para contratar.
O produtor, por sua vez, não consegue simplesmente reajustar o preço do leite para compensar o aumento dos custos. Uma mudança dessa dimensão deveria vir acompanhada de medidas concretas: redução dos encargos sobre a contratação, apoio à capacitação e à mecanização e negociação coletiva adequada às atividades contínuas, preservando o descanso e a remuneração dos trabalhadores.
Precisamos melhorar a qualidade de vida de quem trabalha e garantir condições para quem mantém os empregos e produz alimentos. Sem esse equilíbrio, há o risco de o custo recair sobre o pequeno produtor, aumentar a sobrecarga das famílias rurais e comprometer a continuidade da produção.
O avanço social precisa vir acompanhado de condições econômicas para sustentá-lo e infelizmente, quem produz em nosso país vê, a cada dia, mais dificuldade no exercício da atividade!
Alessandro Oliva Coelho
Presidente do Núcleo de Criadores de Girolando do MS




















