O barro, as plantas e as cores encontradas em territórios indígenas do Pantanal e da Amazônia serão ponto de partida para uma troca de saberes entre artistas Macuxi e Kadiwéu, de 10 a 12 de outubro, em Mato Grosso do Sul.
A programação do 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena acontecerá na aldeia Alves de Barros, na Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, e terminará com um bazar em Bodoquena. O encontro é idealizado pelo projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, uma realização do Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Para produzir suas cerâmicas, as mulheres Kadiwéu coletam barro, utilizam pigmentos naturais encontrados em nascentes, pedras e riachos, e aplicam a resina do pau-santo em detalhes do acabamento preto e brilhante único das peças. Ameaçada de extinção, a árvore pau-santo encontrada na região recebe o nome científico de Gonopterodendron sarmientoi.
Na língua Kadiwéu, é chamado Elegigo e faz parte dos conhecimentos seculares que seguem transmitidos às novas gerações. De forma semelhante, na comunidade Raposa I, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, mulheres Macuxi também fazem da produção cerâmica um ofício aprendido entre mulheres de muitas idades.
A relação entre a arte da cerâmica com os territórios ganha urgência diante dos eventos climáticos extremos, que ameaçam tanto os territórios indígenas do Pantanal quanto os de Roraima com aumento de incêndios, ondas de calor e secas prolongadas. Para Creuza Vergilio, presidente da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK) e participante da primeira edição e desta segunda, a arte da cerâmica representa “toda a sua vida” e a continuidade desse trabalho depende também da conservação dos lugares onde as artistas encontram seus materiais.
A primeira edição do encontro ancestral aconteceu em 2022, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, pelo projeto Bem Viver, do Conselho Indígena de Roraima (CIR), com participação de artistas das etnias Macuxi, Kadiwéu e Terena. À frente da organização estiveram as comunidades de Roraima, ao lado de Enoque Raposo, representante da comunidade Raposa I e atuante no etnoturismo, e da ceramista Sônia Rigueira, fundadora
o Instituto Terra Brasilis. Neste ano, as mulheres Kadiwéu receberão o intercâmbio em seu
erritório, com participação de artistas da etnia Macuxi, Wai Wai e Kadiwéu.
“Dar continuidade ao encontro iniciado pelas comunidades de Roraima, com Sônia Rigueira e Enoque Raposo, é reconhecer o trabalho de quem criou essa aproximação. Agora, no território Kadiwéu, as artistas terão outra oportunidade de compartilhar seus conhecimentos e conversar sobre as condições de que precisam para seguir produzindo, ensinando e comercializando sua arte”, afirma Reinaldo Lourival, atual diretor executivo do Instituto Terra Brasilis.
No sábado, 10 de outubro, a aldeia Alves de Barros recebe um treinamento em precificação e estratégias de vendas, das 10h às 16h, seguido de conversas sobre a comercialização da produção ancestral. No domingo, 11, o encontro será dedicado às técnicas, aos processos de produção e às formas de valorização da cerâmica, também na aldeia.
Já na segunda-feira, 12, o Bazar da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK) encerra a programação com venda de cerâmicas, cestarias, roupas e biojoias Kadiwéu, das 9h às 17h, na sede da Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu (ACIRK), localizada na Rua Guilherme Maidama, 128, em Bodoquena.
Durante as atividades, o projeto também fará gravações para um ambiente imersivo em realidade virtual 360º, acompanhando a coleta do barro, a queima da cerâmica, a pintura, o intercâmbio e a comercialização das peças. Com ações previstas até 2028 e feitas em parceria com lideranças e associações do território, o Vidas e Vozes Kadiwéu trabalha fortalecendo governança indígena, protagonismo feminino, geração de renda, prevenção de incêndios, segurança hídrica, restauração ecológica, proteção da fauna e educação ambiental, apoiando respostas à seca e ao calor extremo.
Serviço e informações
10/10, sábado: treinamento em precificação e estratégias de vendas, das 10h até 16h.
Aldeia Alves de Barros, Terra Indígena Kadiwéu, Porto Murtinho (MS).
11/10, domingo: 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena. Aldeia Alves de Barros, das
10h às 16h.
12/10, segunda-feira, feriado: Bazar da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu
(AMAK), das 9h às 17h. Sede da ACIRK, Rua Guilherme Maidama, 128, Bodoquena (MS).
Venda de cerâmicas, cestarias, roupas e biojoias Kadiwéu.
Cobertura presencial: prioridade para o bazar em Bodoquena. Solicitações de entrevistas
e informações de acesso à aldeia devem ser combinadas com a assessoria. Nos dias 10 e
11, a equipe do projeto estará gravando alguns materiais em vídeo e foto que podem ser
enviados posteriormente à imprensa.
Projeto Vidas e Vozes Kadiwéu: https://terrabrasilis.org.br/vidas-e-vozes-kadiweu/
Instituto Terra Brasilis: https://terrabrasilis.org.br/ | Redes sociais: @institutoterrabras




















